CASA DA MOEDA E HOSPITAL ARAÚJO JORGE

domingo, 12 de fevereiro de 2012

CASA DA MOEDA E HOSPITAL ARAÚJO JORGE


Os nossos artigos de todos os sábados, também divulgados via internet, gentileza de inúmeros leitores amigos que me distinguem com suas qualificadas leituras, me proporcionam correção contínua dos temas avaliados e agradável satisfação e honra de escrever no Diário da Manhã, caderno Opinião Pública, e o faço com responsabilidade. Esta semana que passou trouxe em temperatura altíssima em Goiânia, mais notícias que vão se tornando comuns na identificação de práticas de corrupção. A instituição "Casa da Moeda do Brasil" fundada em 8 de março de 1694, portanto, centenária e responsável pela produção de moedas e cédulas é das mais antigas empresas públicas do país. Conquistou ao longo dos seus mais de três séculos, o respeito da sociedade brasileira, com segurança e alta qualidade na sua produção.

Como a “raposa no galinheiro”, seu presidente foi demitido do cargo, por suspeitas de que teria recebido de duas empresas internacionais, propina no valor de 25 milhões , em nome dele e da filha. Aqui em Goiânia, o Hospital Araújo Jorge, fundado há mais de 50 anos, é do grupo de hospitais brasileiros especializados em cancerologia, atendendo por mês, dezenas de milhares de pacientes de todas as idades. Goza de amor especial do povo goiano, que em sua defesa tem buscado e patrocinado eventos que resultam em quantidade volumosa de recursos financeiros. É patrimônio nosso. Sonho do médico alagoano Alberto Augusto de Araújo Jorge. Otimista e ousado, já afirmava que o câncer teria cura. Em 20 de janeiro de 1956, com apoio de médicos integrantes do Rotary Club de Goiânia, fundou a Associação de Combate ao Câncer em Goiás. Em 1960, o doutor Araújo Jorge recebeu a visita de Juscelino Kubitschek.

Araújo Jorge continuou sua luta. Em 1967 colocou em funcionamento a unidade hospitalar especializada no tratamento oncológico, tornando-se referência nacional no combate ao câncer. Casa de saúde que, em 1977, foi oficializada com nome em homenagem ao criador da instituição. Transferiu a denominação da unidade Hospital do Câncer de Goiânia, para Hospital Araújo Jorge. Eis que, no caminhar do comportamento corrupto do ser humano que acredita na impunidade, o Ministério Público e graças a Deus, a sociedade o tem como guardião da ética e da moral, após apoio, que merece aplauso, da Polícia Militar do Estado de Goiás, deflagrou a “Operação Biópsia”, ainda em curso, com “suspeição de notas fiscais falsas para justificar compras de medicamentos que não teriam sido entregues”, segundo os promotores. Conforme declaração do Coordenador do Grupo Especial (GAECO), do Ministério Público, Denis Bimbati, “os desvios provocaram a falta de medicamentos e consequentemente, pode ter levado a mortes de pacientes”. A instituição é de caráter filantrópico, sem fins lucrativos, atendendo 80% dos pacientes pelo SUS, consumindo basicamente recursos federais. Houve prisões e envolvimento de médicos, administradores, fornecedores da entidade, empresários com a investigação caminhando para seu final. O valor da fraude poderá alcançar milhões de reais.

A própria família de Alberto Augusto de Araújo Jorge, incomodada há bastante tempo e em defesa da memória do fundador, sentindo o sucateamento do hospital, muita dívida e processos na justiça, se posicionou em 2011, pedindo a imediata retirada do seu nome da designação do Hospital. Vou continuando no registro para amigos e leitores, mais uma e lamentável notícia, que gerará no complicado e defeituoso ambiente urbano de Goiânia, a impossibilidade de sustentabilidade em nossa capital e região. A Grande Goiânia vai receber ainda este ano, 6 grandes empreendimentos imobiliários. Serão mais de 20 mil novas unidades habitacionais, entre apartamentos e casas, que abrigarão cerca de 80 mil moradores. Ocuparão vazios urbanos do Parque Oeste Industrial, Goiânia II, antiga Fazenda Gameleira, Goiânia Golf Clube, Jardim Cerrado e Bairro Monserrat. Nova cidade dentro de Goiânia, será erguida no Parque Industrial, saída para Rio Verde. Numa área de 200 mil m2, serão construídas 6 mil unidades verticais, distribuídas em 50 torres com 17 pavimentos cada. Vizinho está o Residencial Eldorado. O Eldorado Park será quase duas vezes maior.

A expansão acelerada de edifícios vai sufocando, ainda mais, a mobilidade em Goiânia. Os especialistas afirmam que essas construções não têm prévio estudo de impacto de trânsito. A AMT não é ouvida antes da construção de grandes empreendimentos. O trânsito já insuportável em Goiânia, vai travar. Problemas de água, esgoto, circulação do ar, atingirão níveis críticos. O Diário da Manhã, em edição de 15 de maio de 2011, trouxe uma página inteira intitulada “Selva de Concreto”, com dados de que em 2009, foram liberados alvarás para 222 prédios de apartamentos, em 2010, 322 alvarás e em 2011, até o dia 10 de maio, 109 alvarás, e agora, mais esta triste notícia, que agravará o nosso ambiente urbano. Prédios residenciais e comerciais que parecem não ter limites, impressionando pela altura e pequeno distanciamento entre uma torre e outra. Comenta-se que há construção prédios com 40 andares em Goiânia. É a verticalização que vai tornar a cidade intrantitável, com temperatura subindo e o estresse atingindo todos nós.

Sugiro ao prefeito Paulo Garcia, a criação do grupo denominado “Usinas de Idéias”, projetando a cidade não para o fim do ano, mas para as décadas vindouras. Um movimento permanente denominado “Goiânia +30”. Projeção de como Goiânia estará oferecendo qualidade de vida para a futura população. A continuar no ritmo em que nos encontramos, será uma qualidade de vida de baixíssimo nível, extremamente crítica. Concluindo este artigo, busco uma declaração hilariante do presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, dias atrás empossado no cargo, quando respondendo perguntas nas páginas amarelas da Revista Veja, edição de 8 de fevereiro, expressou-se sobre a carga de trabalho exaustiva, realmente muito exaustiva, dos juízes de direito e assim disse: “O juiz é um cidadão de categoria inferior. Ele não pode se candidatar a cargo eletivo, por exemplo. Além disso, tem de ter retidão absoluta em sua conduta. Não pode existir "jeitinho brasileiro para juiz. Qualquer pessoa pode experimentar um cigarro de maconha. Eu não posso, sou juiz.” Minhas homenagens aos extraordinários e competentes juízes que conheço A citação do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, não foi feliz e oportuna.

Artigo do Grão Mestre Barbosa Nunes publicado no dia 11/02/2012

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